Desvendando à COP 30: Direitos Humanos e Crise Climática
- ObservaDHpa

- 13 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de ago. de 2025
A Conferência das Partes é lócus deliberativo do regime climático. É resultado dos diversos encontros das Nações Unidas sobre desenvolvimento, e do esforço dos Estados e das vozes da sociedade civil global diante do risco existencial trazido pelas mudanças climáticas.

Nesse processo histórico que data desde 1972, Conferência sobre desenvolvimento de Estocolmo, importante resgatar essa referência, vez que se discute o conflito entre crescimento econômico versus o desenvolvimento sustentável com a preservação da natureza, se constitui como marco importante no ambiente das Nações Unidas, fundamental para construção do quadro institucional contemporâneo.
Nesse ínterim das conferências, de 1972 a 1992, diversas instituições foram criadas, com destaque para o Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (PNUMA), o Painel Intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC/1988), e os resultados da Rio - 92, com a Convenção do Clima, Desertificação, Biodiversidade, Agenda 21 e a Carta da Terra. Esforços para mitigar a ambição desenfreada do capital com repercussão principalmente sobre as populações periféricas do Sul Global como a Amazônia paraense.
Nessas cinco décadas se consolida o regime climático, com o protocolo de Quioto e o Acordo de Paris, e as inúmeras reunião das Partes (países), as COPs.
Nos desdobramentos das reuniões das COPs, quase sempre se percebe o baixo compromisso dos países de capitalismo avançado com a agenda ambiental - climática. Declarações circunscritas no Protocolo de Quioto, de que não comprometerão seu desenvolvimento, demonstram a desresponsabilização com o equilíbrio planetário, e consequentemente qualquer preocupação com populações de países pobres e emergentes, as populações do sul global.
Desde Quioto com os mecanismos de flexibilização, como a implementação de projetos conjuntos; mecanismo de desenvolvimento limpo e mercado de carbono, bem como transferência de dinheiro e tecnologia, promessas renovadas no acordo de Paris, que países do norte driblam o principio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, assumidas na Convenção do Clima, a UNFCCC.
E isso implica, e consequentemente num modelo de desenvolvimento que constitui um grande fracasso, vez que é causador da extenuação dos recursos naturais, da multiplicação de catástrofes, da pobreza e da exclusão de grande parte da humanidade.
Esse quadro político que extrapola o ambiente internacional tem rebatimento direto sobre a capacidade dos Estados de capitalismo dependente como o Brasil em produzir politicas públicas, principalmente sobre direitos humanos.
Quando tratamos o quadro dos direitos humanos no Pará, segundo o Observatório de Direitos Humanos (ObservaDHPA), este estado possui maior números de defensores envolvidos na luta em defesa do meio ambiente. E assim, as ameaças de morte são mais frequentes (47,9%), contra indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
E mais além, quando analisados e estratificados outros grupos sociais, como população negra, crianças e adolescentes, LGBTQIAP+, trabalho análogo a escravidão, quilombolas, idosos e pessoas com deficiência, é perceptível as graves violações de direitos.
Desta feita, a centralidade para busca de criação de um ambiente favorável à dignidade humana, sem sombra de dúvida está na busca da consolidação da agenda ambiental- climática, que está na ordem do dia nas Nações Unidas, fazendo valer o princípio das responsabilidades comuns, que embora diferenciadas, não eximi nenhum Estado em prover a defesa inconteste dos direitos humanos, onde a inovação institucional ObservaDH Pará é um locus de referência.
A partir desse breve quadro analítico que se desdobra o diálogo ‘Desvendando à COP 30: Direitos humanos e Crise Climática’, vale a pena assistir.
Acesse o link acima!

A entrevista da professora explica de forma direta como a crise climática e os direitos humanos estão totalmente conectados. Ela mostra que, sem compromisso real dos países desenvolvidos, quem mais sofre são as populações vulneráveis, como as do Pará. É um tema necessário e muito bem colocado por ela.
Uma entrevista muito esclarecedora
👏👏👏👏